Estalar de secos ossos, como que golpeados por um martelo. Esse é o som dos sonhos destruídos. O som que Golias ouviu ao ter seu crânio acertado por uma pedra, no mundo da fundas, onde quem tem Davi é rei.
Basta uma palavra. Nada mais, nada menos. E sonhos e ossos são partidos até ao pó retornar. Páginas queimadas e frases não escritas, e a sensação de palavra não dita, da viagem que não foi feita, das correntes que não foram abertas e os laços que ainda estão feitos.
E o oxigênio continua sendo substituído por gás, nessa câmara claustrofóbica chamada vida.
Quanto seja o tempo das carnes se soltarem dos ossos, e esses revelarem sua brancura polida. Cadavérico, quanto tempo dura virar pó. E as doze tribos estrangulem o Leão de Neméia, apenas o suficiente para ouvir as Sereias e seu canto erótico de morte. "Tampem os ouvidos, não vale a pena", dizem.
Mas no mar onde uma gota faz falta, sim. Vale muito a pena.
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
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