terça-feira, 28 de outubro de 2008

Inveja

Poucas lágrimas merecem a fôrma que as produz. Poucas palavras merecem a boca que as fala, articula, forma e vocaliza. Poucas mãos merecem a acompanhante que possuem, seu toque, seu calor. Poucas cores merecem os olhos que as sentem. Poucos sabores merecem suas cores. Poucos beijos merecem a saliva que recebem, sua textura, sua doçura. Poucos beijos merecem ser apreciados, sentidos, saboreados. Poucos rostos merecem o vento que os toca. Poucos toques merecem carícias. Poucas coisas merecem a mim ou a você, poucas coisas merecem a nós juntos ou separados, poucos bares merecem nossas doses, poucas pessoas merecem nossa companhia. Poucos goles merecem os seus lábios, poucos gemidos merecem seu sexo, poucos abraços merecem seu perfume.

Poucos colos merecem o seu sono.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Ao menos uma vez

Só por hoje queria ser flor,
te fazer fechar os olhos e sorrir ao inspirar-me
te fazer sentir prazer ao acariciar-me
Te fazer querer que eu nunca morra.

Só por hoje eu queria ser céu
te acalmar os olhos ao meu azul
te soprar brisas leves a te arrepiar
Te fazer sentir esperanca de um dia bom.

Só por hoje eu queria ser mar
Fluir entre seus dedos e nao ter forma fora você.
Salgar seu corpo como o suor da sua pele
Me sentir menos sem você dentro de mim.

Só por hoje eu queria ser terra
Ser teu apoio, seu começo e seu fim
Seu pó e sua casa, seu berço e sua cova
E eternamente consumir você em mim.



sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Arte Final

É essa falta que eu sinto que me acaba o juízo....
ainda nem apareceu no real, já perturba a minha paz.

atrasa a respiracao e ss sentidos.
tela que embaça, desperdiça tinta no ar....evanesce.

Congela os dedos e seca as penas, rasga os substratos.
Envelhece, queima amarela. Rouba toda a brancura.

Apaga os treços, tira as vírgulas e os pontos.
Deixa o mundo sem sentindo de ser e estar.

Irreal e imutável, quem te ganha e quem te perde?
Só mais uma presença, que ainda

terça-feira, 29 de julho de 2008

Parceria

Um guardião cego fala a um soldado desconhecido.
Juntos conversam e escutam música, que flui como uma cheia do Nilo, e arde, como que em chamas.
Viajam juntos naquela sensação arrepiante que a pele com frio sente ao ser tocada pelo calor do fogo, aquele limiar gostoso, como o que antecede o orgasmo, no limite.
Uma vontade tão grande de não sabe-se o quê, mas que os faria cometer canibalismo...me dê sua patente em troca dos meus olhos.
Juntos, saboreiam com muito pecado e nenhuma culpa, mas com uma completa ignorância acerca do mesmo...tudo é paladar, desejo e desejo de saciar. Experimentar uma vez é jamais se livrar do vício.
Toque sua pele, como uma auto-masturbação, insista..inspire, aspire, inspire-se. Cada poro, cada pele, cada cheiro que dele exala. Inpire-se.
olhe para o mesmo céu de todos os dias e descubra novas cores. Olhe para o mesmo sol de todo amanhecer e descubra novos espectros. Olhe para a mesma pessoa amada de todas a noites e descubra novos segredos.

- Ao guardião cego, o que temos a revelar?
- O que eu tenho a te revelar...sua identidade? Ou só o que seus olhos não podem enxergar.
- Mas guia, aquele que tem olhos.
- Olhos não falam quem és.

Conhecer a sí mesmo, uma dádiva.
Enganar a sí próprio, uma arte.

Gênios e enganadores...sentem-se.

Ainda temos mais dois lugares à mesa.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Sobre você

Esse não é um texto de amor

é um texto sobre o amor.

Seus ciclos e picos,

surtos e peripécias.


Sobre como ele inicia e termina

esquenta e acalenta

ceifa os sentidos e entorpece

arde e adocica.


Esse não é um texto de amor,

é um texto sbre o amor.

sobre o olho bom e o olho mau

que nos faz padecer em mentiras.


Sobre sentidos e sentimentos

razão e mágoas, ou sentimentos e mentiras

Coração biológico e coração simbólico

Palavras e olhares.


Esse não é um texto de amor,

é um texto sobre o amor.

como ele nos faz egoístas e vazios

sobre como ele nos faz apenas preencher nosso vazio.


Sobre como ele quebra nossas parcerias,

nos faz sentir vazios a sua ausência.

sobre como ele rasga nossos sonhos e sorrisos

sobre como ele torna o nosso coração pedra.





terça-feira, 11 de março de 2008

Passiflora

É aquela, a flor de maracujá

a textura macia contrasta com o sabor agridoce

doce e sincero, sincero talvez demais.

Como ela gosta da paz judiar.


Não cabe em um buquê qualquer,

suas cores agridem aos olhos,

suas formas pertubam as outras flores

seu perfume salta demais.


Se enrosca nas plantas, agarra e aperta

Prefere se ferir a largar

provoca um frizón no jardim

Se enrola toda, até cansar.


No beijo do sol, exala seu perfume sem reclamar

Agridoce, de maracujá

Mas é a noite, só a noite que adora.

E na noite que prefere acordar.


E se enrola, como se enrola essa danada a dançar

Mas é carinho apenas, mal mesmo não faz

Mas como é carente...essa flor de maracujá!







segunda-feira, 10 de março de 2008

Moonlight

Perdida em um caminho

Onde as rochas se movem

Respiro fracamente

Como um anjo que definha.


Colho a ultima rosa do mundo

Ofereço-a aos deuses

Danço em imortais tumulos

Onde ninguém nunca chorou.


Assisto o sol morrer lentamente

Onde a luz perdeu o poder

Por que eu sempre te vejo chorando?

Por que na vida se perde tanta esperança?


Vejo o céu tomar vida

Quando te entrego a luz da Lua

Olhando as formas nas sombras

Negando os dons desses sussurros.


Sento numa pedra e observo seu rosto

Desenhado na lembrança da minha própria solidão

Retiro dos olhos um pesado véu,

Por que eu nunca te ví chorando?


Tento viver e seguir em frente

Levando a luz da minha alma

Bebendo lágrimas que um dia derramei

Na paz que atravessa essa noite.


Caio no meu último desejo

E nego o luto da sua vida

Procuro um lugar onde não há mais tristeza

Ascendendo na clara luz da Lua.