O homem por sobre quem caiu a praga
Da tristeza do Mundo; o homem que é triste
Para todos os séculos existe
E nunca mais o seu pesar se apaga!
Não crê em nada, pois, nada há que traga
Consolo à Mágoa, a que só ele assiste.
Quer resistir, e quanto mais resiste
Mais se lhe aumenta e se lhe afunda a chaga.
Sabe que sofre, mas o que não sabe
É que essa mágoa infinda assim não cabe
Na sua vida, é que essa mágoa infinda
Transpõe a vida do seu corpo inerme;
E quando esse homem se transforma em verme
É essa mágoa que o acompanha ainda!
Augusto dos Anjos
Pau d‘Arco , 1904
segunda-feira, 23 de maio de 2011
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Doug
Existem correntes espirituais que afirmam que os animais são espíritos em evolução, que um dia serão humanos....por isso eles nos observam tanto, para aprender, acolher, amar, odiar, defender.Se isso for verdade, eu sei que um bom espírito um dia irá reencarnar na Terra, leal e companheiro, amigo e carinhoso. Talvez um excelente pai, filho, marido, irmão....ou alguém que irá acolher corações tristes, como ele sempre fazia com o meu.
Obrigada Doug, por todos esses 13 anos de companhia, amor, lealdade, de me fazer rir quando vc ficava com o rabinho balançando e rodando feito um doido quando via a coleira e sabia que ia passear, ou quando pedia desculpa com a patinha quando fazia xixi no canto da parede.
Obrigada por estar sempre perto pq vc queria, e não pq eu simplesmente chamava. Obrigada por ter sido tão incrível. Mainha te ama, sempre.
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Immortalitatem
Deixe a noite ser guia
de uma alma vazia
na ânfora da morte
o guardião dos segredos
não diluídos no tempo
faz meu corpo teu forte
de teu riso e seu trago
faz teu porto meu regaço
e o teu leito meu abraço.
de uma alma vazia
na ânfora da morte
o guardião dos segredos
não diluídos no tempo
faz meu corpo teu forte
de teu riso e seu trago
faz teu porto meu regaço
e o teu leito meu abraço.
Floruit
Onde há vernáculos sinto receptáculos
e cheiro de morte.
Onde há folhas sinto flores
e sinais de má sorte.
Onde há pele sinto veias e sangue
e tenho saudade de cortes.
e cheiro de morte.
Onde há folhas sinto flores
e sinais de má sorte.
Onde há pele sinto veias e sangue
e tenho saudade de cortes.
Fausto
Sinto cheiro de cinzas cada vez que respiro. Deve ser minha alma virando carvão, e meu coração formando brasas. A vida é agridoce, mas nos faz engolir porcarias como putas de quinta categoria, e o jeito é aceitar.
Meus pensamentos se acumulam e sujam minha mente, o corpo parece querer rachar.
Somos todos tão frágeis como asas de borboleta, e tão sujos como pérolas dadas aos porcos.
E ninguém nunca se importa, só a solidão, que nunca quer te abandonar.
Todo mundo se odeia, o mundo odeia.
O mundo se odeia, todo mundo te odeia.
E ninguém pode fazer porra nenhuma para melhorar isso.
Somos todos ossos, carne e fluidos.
Nosso corpo é uma jaula que só cabe um animal.
Nossa alma é uma jaula, mas que cabem muitos animais.
Quero viver apenas o necessário para ler os livros que eu quiser.
Preciso viver apenas o necessário para ler os livros que eu puder.
Meus pensamentos se acumulam e sujam minha mente, o corpo parece querer rachar.
Somos todos tão frágeis como asas de borboleta, e tão sujos como pérolas dadas aos porcos.
E ninguém nunca se importa, só a solidão, que nunca quer te abandonar.
Todo mundo se odeia, o mundo odeia.
O mundo se odeia, todo mundo te odeia.
E ninguém pode fazer porra nenhuma para melhorar isso.
Somos todos ossos, carne e fluidos.
Nosso corpo é uma jaula que só cabe um animal.
Nossa alma é uma jaula, mas que cabem muitos animais.
Quero viver apenas o necessário para ler os livros que eu quiser.
Preciso viver apenas o necessário para ler os livros que eu puder.
Anima mea
Minha mente se eleva e deixa-se levar.
e permanece tão frágil quanto um colorido vitral.
Que a qualquer golpe se torce e estilhaça
E cai em pequeninos grânulos de areia sem cor.
Mas antes, fractais. Que colhem e se encolhem.
Como um coração em criação.
Fragmentos de almas, espelhos em molduras vivas.
Que abrangem e se expandem. Inspiram e expiram.
No labirinto sem saída que corre e escorre.
E assiste a Lua como um grande mural.
Dança e tropega.
Em cacos e restos.
Linhas e caminhos.
Todos presos nesse infinito umbral.
e permanece tão frágil quanto um colorido vitral.
Que a qualquer golpe se torce e estilhaça
E cai em pequeninos grânulos de areia sem cor.
Mas antes, fractais. Que colhem e se encolhem.
Como um coração em criação.
Fragmentos de almas, espelhos em molduras vivas.
Que abrangem e se expandem. Inspiram e expiram.
No labirinto sem saída que corre e escorre.
E assiste a Lua como um grande mural.
Dança e tropega.
Em cacos e restos.
Linhas e caminhos.
Todos presos nesse infinito umbral.
Adora
Gosto dos venenos mais fortes
e dos dias mais nublados.
Das bebidas mais apuradas
e dos livros mais antigos.
Das músicas mais tristes
e dos trabalhos mais pesados.
Do sono mais leve
e das noites mais agitadas.
Dos beijos mais intensos
e dos amantes mais robustos.
Dos dias mais tranquilos
e dos sonhos mais inquietos.
e dos dias mais nublados.
Das bebidas mais apuradas
e dos livros mais antigos.
Das músicas mais tristes
e dos trabalhos mais pesados.
Do sono mais leve
e das noites mais agitadas.
Dos beijos mais intensos
e dos amantes mais robustos.
Dos dias mais tranquilos
e dos sonhos mais inquietos.
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